O município de Curitiba deu um passo importante para revalorizar a Fisioterapia no sistema público de saúde ao reformular seu modelo de contratação de serviços ambulatoriais especializados. A partir do novo edital de credenciamento, o pagamento dos procedimentos de fisioterapia, pactuado no contrato, a Secretaria Municipal de Saúde repassará recurso adicional que corresponde a 03 (três) vezes o valor de referência estabelecido na Tabela SIGTAP, sinalizando uma mudança concreta na forma de considerar a complexidade, o impacto e a efetividade do cuidado fisioterapêutico.
O CREFITO-8 acompanha com atenção essa transformação e defende que o modelo adotado no SUS de Curitiba possa inspirar uma nova lógica também na saúde suplementar, onde os valores praticados por muitas operadoras e cooperativas não condizem com a qualificação moderna nem com os benefícios gerados pelo tratamento.
Quando o SUS valoriza mais do que os planos
A incoerência entre os valores pagos na saúde pública e privada salta aos olhos: enquanto o novo edital da Secretaria Municipal de Saúde reconhece os procedimentos fisioterapêuticos com valores três vezes superiores aos de referência federal, há operadoras de planos de saúde que ainda remuneram uma sessão por menos de R$ 5,00. Essa realidade desvaloriza a profissão, precariza o atendimento e coloca em risco a sustentabilidade de serviços de excelência.
O modelo curitibano mostra que é possível — e necessário — alinhar pagamentos adequados com melhoria na assistência. Com o novo credenciamento, o município ampliará de 2.940 para 4.473 usuários atendidos por mês, dobrando a oferta de procedimentos e reduzindo significativamente o tempo de espera da população para o acesso ao tratamento fisioterapêutico.Esse salto só é viável porque o financiamento considera a real complexidade da assistência e aposta na efetividade do cuidado fisioterapêutico.
Referência para novas negociações
A valorização dos serviços no SUS pode se tornar uma referência concreta nas negociações da rede suplementar. O CREFITO-8 apoia todas as iniciativas que buscam a revisão das tabelas remuneratórias junto às cooperativas e operadoras de planos de saúde, defendendo uma Fisioterapia sustentável, ética e resolutiva.
Vale lembrar que, mesmo com o avanço significativo representado por Curitiba, os valores ainda não refletem plenamente o que o mercado reconhece como adequado para os serviços fisioterapêuticos. A Secretaria Municipal de Saúde avalia, por meio de estudos técnico-financeiros, a possibilidade de novos reajustes. O investimento atual já ultrapassa R$ 1,1 milhão por mês, totalizando cerca de R$ 13,9 milhões anuais, o que sinaliza um importante compromisso com a valorização, mas não encerra a pauta para o CREFITO-8.
É hora de reconhecer: o cuidado fisioterapêutico de qualidade exige investimento justo. Curitiba mostrou que é possível. Agora, o desafio se estende a todos os setores que contratam esse serviço essencial.
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