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CREFITO-8 homenageia os profissionais do Paraná e destaca a importância do fisioterapeuta do trabalho

Publicado: Sexta, 27 de Abril de 2018, 20h37 | Última atualização em Quinta, 17 de Maio de 2018, 11h58 | Acessos: 747

 

1º DE MAIO

A qualidade de vida, o bem-estar e a melhoria da saúde do trabalhador influenciam todas as áreas do ambiente de trabalho, do profissional que atua na produção ao que trabalha na alta administração.
O trabalho está presente na vida humana desde os tempos primitivos. A evolução do homem trouxe também a evolução nas relações dos humanos com o trabalho que através dos séculos passou por muitas modificações. A globalização da economia, o desenvolvimento da tecnologia e o consequente aumento de lesões causadas em trabalhadores, exige dos profissionais da saúde e segurança do trabalho uma atuação mais contínua para adaptar às condições laborais adequadas. A produtividade da empresa depende das condições físicas e das relações interpessoais com o trabalho dos seus empregados.
No dia 1º de maio comemora-se o Dia do Trabalho e do Trabalhador, uma data escolhida em homenagem a uma greve geral que aconteceu no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, no centro industrial dos Estados Unidos. No Brasil a data passou a ser comemorada a partir de 1925 quando então o Presidente Arthur Bernardes passou a reservar a data como feriado nacional.
É nesse contexto que o fisioterapeuta do trabalho participa cada vez mais da equipe de saúde do trabalhador. O fisioterapeuta é responsável pela a análise do ambiente de trabalho identificando fatores que podem levar a quadros de lesões. Além disso também orienta os trabalhadores sobre medidas de prevenção de lesões e promove o tratamento de patologias ocupacionais.

 

A FISIOTERAPIA DO TRABALHO

A fisioterapia do trabalho surgiu pela necessidade do acompanhamento da saúde do trabalhador com base em algumas ciências como a ergonomia, atividade laboral, biomecânica, entre outras, com o objetivo de prevenir, resgatar e manter a saúde ocupacional. Multiprofissional e interdisciplinar, atua na reabilitação de queixas ou patologias musculoesqueléticas decorrentes do trabalho.

 

Linha do Tempo da Fisioterapia do Trabalho

1879 - No início da industrialização no Brasil em decorrência do aumento de acidentes de trabalho, surge o prático em fisioterapia para dar assistência na recuperação de acidentados.

1968 – O Centro de Reabilitação Profissional do Rio de Janeiro, ganhou dos Estados Unidos um prêmio internacional como centro de referência em reabilitação de saúde do trabalhador.

1998 – Foi criada a ANAFIT – Associação Brasileira do Trabalho, para normatizar a atuação do profissional no mercado.

2002 – Surge a SOBRAFIT – Sociedade Brasileira de Fisioterapia do Trabalho, com a intenção de divulgar a pesquisa e intercambiar conhecimento nesta área, agregando profissionais de todo território nacional.

2003 – O COFFITO, por meio da resolução COFFITO 259, de 18 de dezembro de 2003, cria a especialidade em Fisioterapia do Trabalho.

2006 – No Congresso Brasileiro de Fisioterapia do Trabalho ocorreu a fusão das duas entidades a ANAFIT E SOBRAFIT com o apoio do COFFITO.

2006 - Criação da ABRAFIT - Associação Brasileira de Fisioterapia do Trabalho.

2007 – Foi realizado o projeto de lei para a inclusão do fisioterapeuta do trabalho na NR4, para que sejam obrigatórios em todas as empresas a presença de um fisioterapeuta do trabalho no quadro de funcionários.

 

O CREFITO-8 entrevistou o fisioterapeuta do trabalho, ergonomista, assistente técnico pericial e gestor de programas de ergonomia e QVT, Dr. Alison Alfred Klein, para falar sobre os objetivos da Fisioterapia do Trabalho, sua importância, atribuições, processos, perícias, mercado e áreas da Fisioterapia do Trabalho e também sobre o perfil do fisioterapeuta do trabalho.

 

Dr. Alison Alfred Klein, fisioterapeuta do trabalho, ergonomista, assistente técnico 
pericial, gestor de programas de ergonomiaQVT

CREFITO-8: o que podemos comemorar no dia do trabalho?

Dr. Alison Klein: é um dia emblemático, uma luta que chegou a um momento crucial do capital x trabalho, historicamente, utilizado como data para se impor contra o capital. O que existe são pessoas trabalhando em busca da sua sobrevivência. É o dia para lembrar uma sociedade em construção na busca de seus direitos sociais. O trabalho é para fazer algo coletivo. No Brasil, o trabalhador não se preocupa com a sua saúde e sim com sua remuneração em primeiro lugar. Quando trabalhadores e empresas entenderem que o trabalhador é investimento e custo para a empresa, a partir daí poderemos comemorar quando a saúde do trabalho estiver em primeiro lugar.

CREFITO-8: quem são os profissionais da fisioterapia do trabalho e quais são seus objetivos?

Dr. Alison Klein: o fisioterapeuta é o profissional que leva o domínio da biomecânica, da ciência humana, da cinesiologia para dentro da empresa. Os profissionais precisam ter isso muito claro desde a faculdade, que a legislação brasileira apresenta a norma regulamentadora nº 17 (Ergonomia), conhecida como NR-17 do Ministério do Trabalho e Emprego.

A Fisioterapia do Trabalho tem como objetivo prevenir, avaliar e tratar os distúrbios ou lesões decorrentes das atividades no trabalho. Nas empresas, cabe aos fisioterapeutas prevenir e manter a saúde do trabalhador, abordar a ergonomia e biomecânica, prescrever exercícios laborais, atuar na recuperação de queixas ou desconfortos físicos sobre o aspecto multiprofissional e interdisciplinar, promover a melhora da qualidade de vida do trabalhador, evitar queixas de origem musculoesqueléticas ocupacionais ou decorrentes de atividades diárias e contribuir com a melhora da saúde do trabalhador para aumentar sem bem-estar, desempenho e produtividade.


NR-17
É a norma regulamentada pela Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, que aprova as normas regulamentadoras do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. O objetivo da NR-17 (Ergonomia) é estabelecer os parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Obrigatória para as empresas, a NR-17 tem a grande importância para identificar as maiores doenças de trabalho que são desenvolvidas a partir da exposição do risco ergonômico que muitos trabalhadores passam como os trabalhos realizados em pé durante a jornada, esforços repetitivos (DORT - Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), levantamento de cargas e monotonia. Além da saúde do trabalhador, o que deve estar consciente é que o desconforto do trabalho pode gerar também baixa produtividade para as empresas e o não cumprimento da norma não é vantajoso em nenhuma circunstância e cabível de multas.


CREFITO-8: qual a importância e os benefícios da Fisioterapia do Trabalho para as empresas?

Dr. Alison Klein: o fisioterapeuta juntamente com a equipe de saúde ocupacional não se limita a curar a patologia, mas sobretudo prevenir. A Fisioterapia traz uma série de benefícios devido às qualificações técnicas para analisar o empregado como maior eficiência e menor gasto de energia por movimento realizado nas atividades ocupacionais e como consequência a melhor utilização das estruturas articulares e musculares, a sensação de diminuição de fadiga ao final da jornada de trabalho, o aumento da mobilidade e melhora de postura, a prevenção de doenças ocupacionais, melhor qualidade de vida, previne estresse, depressão, ansiedade e sedentarismo, benefícios relacionados aos sistemas cardíaco, esquelético e respiratório decorrentes dos exercícios, entre outros benefícios psicológicos (tensões emocionais, auto-estima), sociais
(incentiva relações interpessoais, relacionamento em equipe) e para a empresa ( maior produtividade e resultados, menor número de queixas ocupacionais, diminuição de gastos com afastamentos de funcionários e passivos trabalhistas).

CREFITO-8: qual o perfil do fisioterapeuta do trabalho?

Dr. Alison Klein: para o aluno que se interessar pela fisioterapia do trabalho, além de muita leitura, sobre as legislação trabalhista brasileira, oriento que logo ao terminar o curso procure ir direto às empresas para atuar nas áreas da Fisioterapia do Trabalho como Ginástica Laboral, Ergonomia, Prevenção de Lesões Ocupacionais, Tratamento de Lesões Ocupacionais, Laudos Ergonômicos, Exames admissionais e demissionais, Exames periódicos, atuar no NR-17 junto com outros profissionais da saúde e só depois de alguns anos de experiência, buscar mais qualificações nos cursos de pós-graduação que vão trazer disciplinas como biomecânica ocupacional, ergonomia e ferramentas de produtividade, ginástica laboral, saúde do trabalhador, perícia judicial, acessibilidade e inclusão de pessoas com necessidades especiais, gestão em saúde, fisiologia do trabalho, entre outras.

CREFITO-8: como está o campo de trabalho da perícia para o fisioterapeuta do trabalho?

Dr. Alison Klein: o profissional da Perícia Judicial do Trabalho desenvolve atividades, por exemplo, junto à justiça do trabalho, cível, e outras varas, além de estar apto para trabalhar com DPVAT, INSS, exames cinesiológicos funcionais, entre outros.
Os fisioterapeutas que fazem Perícia Judicial do Trabalho estão conquistando este mercado devido à quantidade de processos trabalhistas que envolvem funcionários com algum tipo de lesão e consequentemente a incapacidade funcional, sendo necessária a atuação do fisioterapeuta para fazer avaliações funcionais, biomecânicas ou do posto de trabalho, e sempre que necessário, a nomeação como perito para auxiliar na elucidação do caso. Os peritos trabalham com várias ferramentas de avaliação, as quais geram os relatórios (provas) de que os advogados necessitam. É importante destacar que, os fisioterapeutas, não fazem perícias médicas, pois esta é uma modalidade diferente. A perícia judicial do trabalho para fisioterapeutas é um complemento do processo que trata da avaliação funcional das partes envolvidas em um processo.

 

UM MERCADO EM EXPANSÃO

O profissional que atua na Fisioterapia do Trabalho deve estar constantemente aprimorando seus conhecimentos em biomecânica, fisiologia do trabalho, ergonomia, legislação, entre outros, para ter maior qualificação e demonstrar por meio de dados, números e gráficos aos gestores das empresas, a comprovação das melhorias nos resultados do desempenho dos trabalhadores.
Segundo o Dr. Alison Klein vamos passar por uma experiência inédita em termos de mercado, pois a partir do segundo semestre será obrigatório a todas as empresas informarem seus dados da saúde do trabalho no do eSocial , o que é uma informação da saúde dos trabalhadores das empresas on line. Trata-se do decreto nº8373/2014 que instituiu o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Por meio deste sistema, os empregadores passarão a comunicar o governo, de forma unificada, as informações relativas aos trabalhadores como vínculos, contribuições previdenciárias, folha de pagamento, comunicação de acidentes de trabalho, aviso prévio, escriturações fiscais e FGTS. Na prática, a saúde do trabalhador estará sendo lida on line pelos órgãos do governo e as empresas terão que aprimorar seus mecanismos de trabalho para manter, prevenir e melhorar a saúde dos seus empregados.
De acordo com o Dr. Alison Klein, se o fisioterapeuta se colocar como protagonista das áreas da Fisioterapia do Trabalho como a Ergonomia, atuação com o NR-17, Exames Periódicos, Perícia e os demais, o profissional desta área vai conquistar cada vez mais espaço, credibilidade e confiança junto aos gestores neste campo promissor.

 

DOUTORES DO MOVIMENTO REPRESENTAM A ESPECIALIDADE DA FISIOTERAPIA DO TRABALHO

Fisioterapeuta do Trabalho: Dra. Movimento

O programa Movimenta Paraná foi desenvolvido em parceria com Instituições de Ensino, profissionais, Associações de Especialidades e Sindicato. O mascote representa o perfil do fisioterapeuta especialista enaltecendo a área de atuação da Fisioterapia do Trabalho, buscando desenvolver e fortalecer a identidade, autonomia, inserção e valorização do profissional e da profissão.

 

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